- Coordenação: Andressa C. Luz e Felipe Bier
- Frequência: Quinzenal, às segundas-feiras
- Datas: 02/03/2026, 16/03/2026, 30/03/2026, 13/04/2026, 27/04/2026 11/05/2026, 25/05/2026, 08/06/2026, 22/06/2026
- Horário: das 20h às 21h30
- Modalidade: Presencial e on-line
- Local: R. Aimberê, 1073 – Perdizes – São Paulo
- Inscrições: andressa.cluz@gmail.com e felipebier@gmail.com
O que é a transferência, hoje?
Em 2025, o trabalho do núcleo foi marcado pela reflexão em torno do analista: a docilidade do analista, a interpretação, o ato. Em 2026, pretendemos seguir com o avesso desta questão – a transferência, o sintoma, o fantasma. Para isso, pretendemos tomar o texto “Uma fantasia”, de Jacques Alain Miller, como base. Como eixo para esta pesquisa, prevemos o estudo de dois casos freudianos: “O Homem dos ratos” no primeiro semestre, e o “Homem dos lobos” no segundo. Com o primeiro, pretendemos levantar a questão de como uma neurose pode se apresentar hoje, quando na psiquiatria ela é reduzida aos seus sintomas, sofrendo um processo de metonímia, no qual a nomeação substitui a articulação do sujeito com seu sintoma: trata-se não mais de neurose, mas de TOC, TOD, burnout, hiperfoco etc.
Sobre este ponto, Miller[1] esclarece que se o discurso da hipermodernidade não é mais o avesso da psicanálise mas, em contrapartida, é efeito do sucesso de sua transmissão na civilização, a prática lacaniana deveria se colocar como uma invenção a partir da via traçada por Lacan em seu último ensino, não sem o primeiro. Em referência às práticas orientadas pela ética do “isso funciona”, no âmbito do universal, a prática lacaniana tem por princípio o seu avesso, a orientação do “isso falha”, ou seja, a ética da singularidade, visando o ponto em que uma transferência pode permitir a leitura do sintoma em sua relação com o sujeito.
Com isto em vista, desembocamos na contemporaneidade do caso do “Homem dos lobos”, que se dá não apenas pela apresentação psicopatológica do caso, mas porque Freud foi instado, por seu caráter peculiar, a lançar-se rumo ao inclassificável no próprio laço da transferência. Pretendemos acompanhar a leitura de Agnés Aflalo sobre o caso de Serguei Pankejeff, que demonstra como ele se faz na própria borda entre sintoma, fantasma e transferência. O trajeto visado neste ano é, assim, do “típico” ao “atípico”, de modo a destacar a transferência como conceito fundamental da psicanálise no tratamento do contemporâneo.
