Resenha Ciclo Avançado Ribeirão Preto

October 4, 2019

Em 28/09/2019, ocorreu o início do trabalho em relação ao Seminário 17 de Lacan (“O avesso da psicanálise”) no Ciclo Avançado proposto pelo CLIN-a de Ribeirão Preto. A apresentação dos dois primeiros capítulos foi feita por Diva Rubim, psicanalista e associada ao CLIN-a.

 

Uma vez que se trata de um seminário realizado entre 1969 e 1970, Diva fez um resgate histórico de 1968, ano marcado por diversas manifestações e movimentos sociais pelo mundo, sobretudo na França, com o estopim ocorrendo em maio daquele ano. Inclusive, a foto da capa do seminário retrata exatamente uma cena emblemática desse protesto e conta com a presença de uma figura importante, Daniel Cohn-Bendit.

 

Além disso, Diva salientou que a leitura dos seminários 16 e 17 é complementar, fazendo um par, bem como fez apontamentos muito interessantes acerca do seminário antes de se debruçar sobre ele, partindo de leituras complementares de diversos textos. Entre as citações, ressaltou que o seminário 17 é um “seminário dobradiça”; ainda nessa perspectiva, o próprio Lacan teve de mudar o lugar em que apresentava o seminário; falou-se sobre a figura do próprio Lacan como alguém “mais acessível”, “menos lacônico” – mesmo porque parecia ser uma demanda de seu público; durante a discussão também foi apontado que o seminário parecia representar o ápice do “Lacan estruturalista”.

 

A conclusão da contextualização também foi bastante relevante, uma vez que Diva aponta para um Lacan que se aproxima da matemática, entendendo que a apresentação dos discursos é feita por meio de giros de lugares da estrutura discursiva. Movimento que também leva ao título do seminário: “O avesso da psicanálise”; pois Lacan afirma que tomará a psicanálise pelo avesso – como se nesses giros, Lacan estivesse “revirando” a psicanálise.

 

Num esforço de síntese, pode-se colocar que o que Lacan apresenta nos primeiros capítulos do seminário são os quatro discursos (do mestre, da histérica, universitário e da psicanálise) tomando a estrutura do discurso por meio de quatro quadrantes: agente (esquerda/acima), outro (direita/acima), a verdade (esquerda/abaixo) e a produção (direita/abaixo); fazendo girar entre esses quadrantes os elementos significante mestre (S1), saber (S2), sujeito (    ) e objeto a (a).

 

Existe a aproximação da teoria marxista de “mais-valia” em relação ao objeto a como um “mais-de-gozo” – como sendo algo de uma renúncia de gozo, incluindo-se uma perda e indicando um excesso –; e da teoria hegeliana, ao tratar os discursos do mestre e da histérica, colocando a questão de que a histérica ilumina o desejo do mestre, para que o gozo apareça e tendo como verdade que o mestre é castrado. Também foi tocada a questão de que, no contemporâneo, existe um movimento de não se haver com a castração, num discurso em que o furo não é admitido.

 

Por fim, Diva percorreu o texto indicando a importância do que é colocado por Lacan como um “saber-fazer” e apontando que o discurso possibilita um laço social, uma relação que também é intrasubjetiva, com o próprio inconsciente, acrescentando que a psicanálise pode surgir como uma tentativa de modificar a posição do sujeito no discurso do mestre, inclusive elucidando o movimento do próprio tratamento analítico de histericização do discurso e cita Lacan “Ele, o analista, se faz de causa de desejo do analisante”, dando pistas do que será tratado nos próximos capítulos.

 

Vagner Arakawa

 

 

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