NÚCLEO DE PESQUISA EM APRESENTAÇÃO DE PACIENTES E PSICOSES.




Datas:

  • Março: 05 e 19

  • Arbil: 09 e 23

  • Mail: 07 e 21

  • Junho: 11 e 25

Dia: sextas-feiras.

  • Horário: 14:00

Contato: Rubens Berlitz

Wattsapp: (11) 9.9157.5500

rubensberlitz@hotmail.com


Neste ano de 2021, abordaremos a temática da psicose a partir de duas vertentes, por um lado continuaremos a leitura, apresentação comentada e discussão do texto, “De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose[1]”, iniciado no segundo semestre de 2020. Juntamente com o Seminário 3, as psicoses, este texto é um dos pilares do primeiro ensino de Lacan sobre o tema das psicoses e tem sua importância na psicanálise, entre outros motivos, por ser nele que Lacan apresentará a metáfora paterna como fundamental para o balizamento do diagnóstica da psicose, além de demonstrar a relação estrutural do homem com o significante. Na segunda vertente, são os laços, desenlaces e os lances que engendram o amor e a psicose que investigaremos. Perseguiremos, para utilizar um significante próprio da psicose, a trilha aberta pela proposta do X ENAPOL – “O novo no amor – modalidades contemporâneas dos laços”, a ser realizado nos 09 e 10 de outubro de 2021.


O amor na psicanálise se apresenta desde o seu início, o amor de transferência tal como Freud observou, é o que possibilita a direção do tratamento ao mesmo tempo que é fator de resistência à ele. Em nome da impossibilidade do amor de transferência na psicose, cogitou-se a inoperância da psicanálise para abordar esses casos, assim, o sujeito psicótico estaria impossibilitado do tratamento psicanalítico. Não recuar diante da psicose é um postulado ético ao psicanalista. No Seminário 8, Lacan afirma que “o problema do amor nos interessa na medida em que vai nos permitir compreender o que se passa na transferência – e, até certo ponto, por causa da transferência”[2] e acrescenta neste mesmo seminário que no começo era o amor, para indicar que está é a via que conduzirá o tratamento.


O amor na psicose, se é que ele é possível, conforme nos advertia Lacan em um determinado momento de seu ensino, é apenas por ser um amor morto. É o que ele nos afirma ao propor a diferença entre alguém que é psicótico e quem não o é: “para o psicótico uma relação amorosa é possível abolindo-se como sujeito, enquanto ela admite uma heterogeneidade radical do Outro. Mas esse amor é também um amor morto.”[3] O que esta afirmação quer dizer efetivamente?


Se amor é um fato de discurso, qual a invenção possível para aquele que, apesar de estar na linguagem, está fora do discurso? Para Freud o sujeito psicótico ama o seu delírio e dele não aceita se livrar facilmente. O que seria então o amor nas psicoses?


Para Lacan “amar é dar o que não se tem”, e para se dar o que não se tem, algo precisa ser perdido e reconhecer essa falta para dar ao outro. Já na conferência do dia 24 de novembro de 1975, na universidade de Yale nos EUA, ele dispara: “A psicose é uma espécie de falha no que concerne à realização disso que se chama amor.”[4] Amar verdadeiramente inclui a castração, o Nome-do-pai operária e nesta operação, um corte se revelaria ao sujeito, constituindo-o como separado do grande Outro.


Em seu último ensino, Lacan se serve da psicose, a partir de sua leitura de Joyce, para pensar o tratamento da neurose, poderíamos pensar que o amor “normal” e a erotomania, uma das versões do amor psicótico, não estariam muito distantes? Seria o amor enquanto síntoma, o que aproximaria o amor neurótico do amor psicótico?


Evidenciamos na clínica que as coisas do amor poderia ser um antídoto contra o vazio insuportável que toma conta do sujeito psicótico em alguns casos e, em outros é justamente aí que se precipita uma crise.


O que aprendemos com alguns relacionamentos amorosos como os de Nora e Joyce, Gaya e Dali, Sabine e Shereber, Camille Claudel e Rodin? que lugar ocupavam as mulheres para cada um? Que tipo de amor teríamos aí?


O desejo do analista, aquele que visa a diferença absoluta, pode servir de “insumo” - material em escassez nos tempos atuais - enquanto ferramenta fundamental, possibilitando ao psicótico afrouxar o laço com as determinações significantes, tomar uma boa distância do Outro ao qual se percebe gozado e objetificado. Ao fazer parceria com o intratável em cada sujeito o analista talvez advenha como aquele que favoreça um laço que não seja percebido como invasiva ou mesmo que evite alguns tipo de encontro que leva ao pior.


O amor “está no ar” no campo das psicoses e convidamos aos interessados em investigar as coisas do amor: os amores loucos, erotomaníacos; amores que são sintomas, suplências, suas formas de enodamentos e as suas invenções no contemporâneo.


Sejam bem vindos!!!


As atividades serão realizadas pelo Zoom.


[1] Lacan, J. ( 1959/1998 ). De uma questão preliminar a todo tratamento possível da psicose. In: Escritos. Rio de Janeiro, JZE. p.537-590. [2] Lacan, J. (1960-1961/2010). A metáfora do amor: Fredo. In: Seminário, Livro 8, a transferência. Rio de Janeiro, JZE. p.52. [3] Lacan, J. (1955-1956/2002). O apelo, a alusão. In: Seminario, Livro 3, às psicoses. Rio de Janeiro, JZE. p.287. [4] Lacan, J.( 1976). Conférence et entretien, in: Scilicet, 6 (7), Paris. Seuil.

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