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Conversação: “O que pode um analista no CAPS-I?”

June 5, 2019

 

Coordenação: Camille Gavioli e Raquel Diaz Degenszajn

Colaboração: Silvia Jacobo

 

Dando continuidade à proposta do Núcleo Ciranda-SP, realizamos mais um evento que se encadeia à série em que visamos colocar produções e produtos de pesquisa à céu aberto. Com o intuito de fomentar discussões que contribuam para o debate que a clínica com crianças e adolescentes suscita, buscamos sustentar a interlocução com todos aqueles que se interessam e trabalham neste campo.

 

No dia 04 de maio, aconteceu a Conversação “O que pode um analista no CAPS-I?” no Clin-a, organizado pelo Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com a criança e o adolescente – Ciranda-SP. Contamos com a presença de cerca de 25 participantes e os colegas da EBP: Cássia Guardado, Heloísa Prado Telles, Niraldo Santos e Valéria Ferranti, que muito contribuíram para este animado trabalho.

 

A escolha pela Conversação se insere na prática bastante exercida no Campo Freudiano em que se pode trabalhar, de acordo com Miller, com “um tipo de associação livre que pode ser coletivizada, na medida em que não somos os donos dos significantes (...) não sendo importante que o produz em um dado momento. (...) Ao menos é essa a ficção da conversação: produzir, não uma enunciação coletiva, senão uma ‘associação livre’ coletivizada, da qual esperamos um certo efeito de saber. Quando as coisas me tocam, os significantes dos outros me dão ideias, me ajudam e, finalmente, resulta – por vezes – algo novo, um ângulo novo, perspectivas inéditas”1.

 

Dois participantes do Núcleo Ciranda-SP que haviam apresentado suas dissertações de mestrado recentemente foram convidados a trazer suas experiências e questões. Através da criação de um dispositivo de escuta, Fábio Saad propôs que os profissionais que encaminham os casos para o CAPS-I falassem sobre seus impasses e dificuldades, oferecendo um espaço de reflexão e implicação. Rosângela Correia pôde aprofundar a pesquisa sobre o objeto voz a partir do encontro com uma criança autista, que não falava e não suportava ouvir a voz da analista.

 

Questões a partir da noção de transferência, com a instituição e o analista e o desejo do analista foram recolhidas dos dois trabalhos e permitiram que a palavra pudesse circular, gerando novas associações. De modo instigante, pudemos notar algumas aproximações entre os dois trabalhos onde a fala é convocada, graças à posição do analista e em que se pode verificar os efeitos que a tomada da palavra provoca. Outro ponto fundamental que merece destaque é a posição política da Psicanálise em detrimento de outras práticas, muitas vezes, presentes nas instituições de Saúde Mental. Os encontros singulares e as soluções únicas demonstram que o posicionamento ético aposta sempre na transformação do sujeito e do analista que conduz o tratamento a partir das estratégias possíveis em que a abertura para o laço social pode provocar efeitos em que algo se organiza e passa a ter lugar. O uso de protocolos exclui a contingência e a surpresa que pode se engendrar a partir de um lugar que o analista ocupa, pois se apóia na possibilidade que um outro dizer se produza, o esforço de uma política de fazer diferente a cada vez conduz ao bem dizer, expressão cunhada por Lacan que tão bem ilustra o que pudemos trabalhar nessa manhã de sábado.

 

1 Miller, J.A. et all. La pareja y el amor: conversaciones clínicas com J.A. Miller em Barcelona. Buenos Aires: Paidós, 2005.

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