Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com a Criança e o Adolescente – Ciranda SP



Durante a pandemia, estamos utilizando a plataforma Zoom para a realização de reuniões, que são abertas e gratuitas aos inscritos, seguindo o cronograma para este semestre:

  • Março: 12

  • Maio: 07 e 21

  • Junho: 04 e 18

Informações e inscrições: nucleocirandasp@gmail.com (vagas limitadas) Coordenação: Camille Apolinário Gaviolli e Raquel Diaz DegenszajnColaboração: Silvia Jacobo





O Núcleo de Pesquisa em Psicanálise com a criança e o adolescente nomeado CIRANDA-SP tem uma dupla inscrição: com o CLIN-a, associado ao Instituto do Campo Freudiano e com a Nova Rede CEREDA (NR CEREDA).


Em 1983, a partir de uma experiência de cartel constituído por Éric Laurent, Rosine Léfort, Robert Léfort, Jacques-Alain Miller e Judith Miller teve início o trabalho de investigação do CEREDA (Centre d´Etude et de Recherche sur le Enfant dans le Discours Analytique).


Posteriormente, esta instância foi refundada, sob o nome NR CEREDA. Encontramos nos textos de orientação a seguinte afirmação: “A NR CEREDA assegura uma função de informação e de formação para praticantes que não cedem de seu desejo clínico, argumentam e se deixam ensinar pela lógica dos percursos analíticos e as modalidades da direção dos tratamentos. A orientação lacaniana esclarece e modifica suas práticas e lhes permite conhecer novas satisfações”1.


A NR CEREDA se compõe de grupos de diferentes países, no marco da formação proporcionado pelo Campo Freudiano e suas Escolas, vinculadas à Associação Mundial de Psicanálise (AMP). As coordenadas “criança-sintoma” e o “sintoma da criança” orientam a pesquisa epistêmica e clínica, sustentada pelo princípio de unidade da Psicanálise, portanto contrária a toda ideia de especialização.


Neste ano, 2020, estamos trabalhando a partir do tema "A diferença sexual", apresentado na 5ª Jornada de Estudos do Instituto Psicanalítico da Criança2 em março de 2019 e nos propomos a construir um percurso teórico-clínico, definido nos seguintes termos:


Elegemos um eixo de pesquisa orientado pelo saber que a criança constrói diante do não saber sobre o sexual, atentos à questão da imiscuição do adulto na criança, os semblantes e modos de gozo. Vale dizer que o analista também está em posição de bordejar o excesso de violência que pode ocorrer de modo a garantir que o novo e o singular tenham espaço na constituição da diferença absoluta.


Se só é possível abordar a diferença sexual pela singularidade dos modos de gozar, como se dá a escolha desse modo de gozo? Como as mudanças no contemporâneo, em termos de discurso e semblante, incidem sobre esta escolha? Falamos em crise de identificação e aprendemos que a identificação é sempre atual, instável e sintomática. De que modo podemos articular essa noção de identificação com tais mudanças?





Resenha da reunião realizada no dia 23/04/2020


No dia 23/04/2020, o Núcleo Ciranda-SP retomou as reuniões no formato online.

Para orientar o trabalho em torno do tema da “Diferença sexual”, o eixo de pesquisa que escolhemos dá lugar ao saber que a criança constrói diante do não saber sobre o sexual. O analista deve se colocar ao lado da criança para escutar os arranjos que ela faz e os nomes que ela dá frente à ausência de inscrição desse novo saber implicado no encontro com um gozo que incide sobre o corpo.


O eixo de pesquisa do Núcleo busca circunscrever a diferença sexual pela singularidade dos modos de gozo e a busca de um entendimento de como isto ocorre no sujeito contemporâneo e nesta primeira reunião pudemos nos servir de pequenos recortes teóricos – a novidade introduzida por Freud sobre o “fator sexual” e sua determinação precoce que efetua a posição sexuada no corpo falante, a diferença entre identidade e identificação e a fragilidade desta no contemporâneo que nos conduz a pensar a sexualidade na criança em relação ao Outro que mudou. É preciso destacar os significantes da época do discurso atual em que notamos um empuxo ao neutro, associado à crise do falo e ao declínio da função paterna que não alcança metaforizar o desejo da mãe, colocando o sujeito às voltas do império materno cuja lei caprichosa nos convoca a formular novos entendimentos a partir do que Lacan nomeou o Outro gozo que fica por fora da lógica fálica.


Esses pontos foram abordados e discutidos em animada reunião oferecendo mais elementos de pesquisa que terá continuidade em encontro já marcado no dia 07/05/2020 às 20:00 horas.

A coordenação vai retomar alguns pontos trabalhados buscando uma articulação com os dois primeiros paradigmas do gozo, de Miller.


Informações e inscrições de 01/05 a 06/05: nucleocirandasp@gmail.com (Vagas limitadas)

Coordenação: Camille Apolinário Gavioli e Raquel Diaz Degenszajn com a colaboração de Silvia Jacobo.


Referências:

Vídeo sobre a abertura dos trabalhos da NR Cereda por Nohemí Brown

https://drive.google.com/file/d/15uHfelG1h8SH5VclC8cWixfCofByufW/view?ts=5e6be07e


Textos de orientação sobre o tema: “Diferença sexual”


http://ciendigital.com.br/index.php/2019/11/17/quatro-perspectivas-sobre-a-diferenca-sexual/

http://ciendigital.com.br/index.php/2019/11/17/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual/



Argumento das Jornadas do Instituto da Criança: http://r.email.institut-enfant.fr/mk/mr/ZPHYlwA6jiWR31j1NRpP_woeeTdP4WDzAfCJbHFHxi7Gcqkj7fkk27Ij-AtL6dsqnC0IlVVov0-EINZ8UEGcj6Wo0QGtZEiEvhObnqFDVs7C-VrL


Freud: “Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade” (1905)

“Organização genital infantil” (1923)


Miller: “Los seis paradigmas del goce” en El lenguaje, aparato de goce – Conferencias en Nueva York y cursos en París. Colección Diva, junio 2000

Miller: Clase Xlll – “Paradigmas del goce” en La experiencia de lo Real en la cura Psicoanalítica. Buenos Aires: Paidós, 2011

Miller: Silet: Os paradoxos da pulsão, de Freud a Lacan. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 2005


Miller: “Os seis paradigmas do gozo”

http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf



Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP em 07.05.2020



Retomando a novidade freudiana trazida a partir dos “Três ensaios” de que a sexualidade se organiza a partir do falo, “órgão pivô” para menino e menina se situarem em que pese a questão da dissimetria entre os sexos, pudemos avançar com Lacan na medida em que tomamos o significante como um modo de tratamento do gozo. Em seu último ensino, acompanhamos o deslocamento do “querer dizer” para o “querer gozar” a partir desta outra novidade lacaniana que estabelece a existência do gozo fora da representação, nomeado gozo feminino ou Outro gozo, abrindo um campo mais além do Édipo.


O argumento das Jornadas da NEL, intitulada “O insuportável da infância” nos ajuda a localizar que o que perturba é o gozo e “o insuportável da infância encontra um referente fundamental no insuportável da satisfação pulsional associada ao desprazer”. Considerando que frente “ à lei universal presente para toda a criança sobre a existência de uma pulsão sexual (...) se inscreverá a singularidade do real pulsional de cada um, um por um”1.


Seria pela via do sintoma enquanto satisfação substitutiva da pulsão que algo se inscreve, entretanto, avançando sobre a indicação de Lacan sobre o lugar da criança para além do estatuto de sintoma do casal parental, nos interrogamos sobre como se apresentam hoje na clínica as crianças e os adolescentes? – desregulados, medicados por sofrimentos difusos, sem queixas nem demandas, sem divisão subjetiva – prova de um real que retorna sem lei marcado pelo empuxo ao gozo. A posição sexuada não pode ser confundida pelas questões relativas ao gênero que são trazidas como questionamentos ligados às identificações que nada dizem sobre como o gozo se singulariza.


As diversas vinhetas clínicas trazidas pelos participantes na discussão revelam esta desorientação e nos convocam a situar a questão do falo e da castração como uma lanterna, neste momento, para articular a relação com o Outro, sem a qual não há infância, naquilo que Miller destaca sobre o segundo paradigma do gozo2 . O deslocamento do estatuto do falo enquanto imagem para o simbólico opera a significantização do gozo e acompanhar essa trajetória do gozo à castração – tal como vemos construída no grafo do desejo será objeto de nossa próxima reunião no próximo dia 21/05/2020, dando continuidade às pontuações de Silvia Jacobo sobre o Seminário de Miller.


Propomos seguir em nossa discussão, no segundo tempo da reunião a partir da apresentação feita por Renata Durce sobre o texto “Trans: sexo e gênero na idade da infância”, convidando a todos e todas a participarem com suas contribuições.


Os participantes que já se inscreveram vão receber o convite para a reunião e os que desejam se inscrever, entrem em contato pelo email: nucleocirandasp@gmail.com entre 18/05 até 20/05 (vagas limitadas).

Até lá!


Coordenação Núcleo Ciranda-SP

Camille Apolinario Gavioli

Raquel Diaz Degenszajn

Colaboração

Silvia Jacobo



1 https://jornadasnel2020.com/template.php?file=argumento-y-ejes.html

2 http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf

3 ROY, D. Trans: sexo e gênero na idade da infância. In: SANTIAGO, A.L. (Org.). Mais além do gênero: o corpo adolescente e seus sintomas. Belo Horizonte: Scriptum, 2017. p. 177-188.


Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP em 21/05/2020


Nesta reunião foram retomados os dois primeiros paradigmas do gozo, proposto por Miller1 e destacados alguns pontos importantes. No primeiro paradigma, encontramos a prevalência do imaginário e do gozo concernido a este registro, mas não sem o simbólico. A satisfação fica do lado da decifração e do sentido, e significante e gozo são disjuntos. No segundo paradigma, o gozo vai se significantizar devido à primazia dada ao simbólico neste momento do ensino de Lacan. Neste paradigma, vale destacar que o falo como objeto metonímico e como imagem será alçado ao estatuto de significante e com isto temos uma operação de redução do Complexo de Édipo e a releitura lacaniana que privilegia a castração. O falo passa a ser uma significação produzida pela metáfora paterna em que a ação do Nome do Pai sobre o Desejo da Mãe atua sobre a significação desconhecida para o sujeito e produz no Outro a inscrição do falo, isto é a significação fálica.

A retomada dos três tempos do Édipo, a partir da dialética fálica é fundamental para que possamos trabalhar o lugar da criança na estrutura, na medida em que podemos problematizar na clínica como a criança responde ao enigma do desejo do Outro. Considerando que nessa operação algo necessariamente resta, ou seja, o gozo não será completamente metaforizado e absorvido pelo simbólico e o modo como isso se recupera. Vale dizer que teremos como consequências duas vertentes: a metonímica, isto é, a criança como falo imaginário que falta à mãe e a metafórica em que o falo se significantiza como desejo do Outro.

Em seguida, Renata Durce apresentou alguns aspectos sobre o texto de D. Roy2 a partir da distinção entre o diagnóstico proposto pelo DSM-5 – disforia de gênero – e o entendimento da Psicanálise que escuta o sujeito a partir de seu modo de gozo, procurando cernir o que há da inscrição da diferença sexual e não simplesmente de seu comportamento ou da demandas de novas identidades.

A proposta para a próxima reunião é de partir da metáfora paterna para lançar a questão de como a criança trata a falta para tramitar a diferença sexual, isto é, frente a castração.

Daremos sequência à discussão do texto de D. Roy, “Trans: sexo e gênero na idade da infância” – em anexo - com as contribuições de Aline Oliveira e Renata Durce, na segunda parte da reunião que vai ocorrer no dia 04/06/2020 às 20:00.

Os participantes já inscritos vão receber o convite para a reunião e os interessados podem se inscrever de 01/06 à 03/06 através do email: nucleocirandasp@gmail.com. Estamos em fase de transição para o uso de nova plataforma, o google meets, portanto, todos vão receber o convite por email 5 minutos antes do início.

Até lá!



1 http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf

2 ROY, D. Trans: sexo e gênero na idade da infância. In: SANTIAGO, A.L. (Org.). Mais além do gênero: o corpo adolescente e seus sintomas. Belo Horizonte: Scriptum, 2017. p. 177-188.


Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP em 04/06/2020


Na primeira parte desta reunião, foi marcada a importância do conceito do falo e seus deslocamentos do início ao fim do ensino de Lacan. Para tanto, retomamos os três tempos do Édipo para destacar que a criança, desde o início, ao se confrontar com o gozo da mãe se depara com uma lei caprichosa e absoluta representada pela dimensão real de uma exigência de amor mortífera. A mãe insaciável, trabalhada ao longo do Seminário 4, representa essa versão devoradora em que a criança seria o equivalente do falo que poderia satisfazê-la. Pela ação da palavra do pai e o efeito da significação fálica, algo desse gozo poderá se circunscrever e a dimensão da falta se instaurar. Porém, não somente nesta via e avançamos um pouco mais ao considerar que a mulher na mãe pode limitar esse gozo opaco. Temos, assim, que a sexualidade feminina abre uma perspectiva fundamental para a clínica com a criança e como esta pode se localizar em termos de estrutura, permitindo ao analista sustentar a direção do tratamento.

Seguimos na discussão do texto de D. Roy1 com a apresentação e comentários de Aline Oliveira e Renata Durce do “caso Jim” em que pudemos levantar questões acerca de aspectos sobre o “trans”: a certeza sobre a mudança de corpo, sem interrogações, o confronto com os ditos familiares, a demanda de reconhecimento social e o empuxo à escolha “consciente” de um nome que represente o sujeito para além da norma.

Daremos continuidade ao trabalho, apresentando mais alguns elementos2 para embasar nossa pesquisa e vamos tratar da última parte do texto de D. Roy, com as contribuições de Flaviana Pires e Aparecida Berlitz na próxima reunião no dia 18/06/2020 às 20:00.

Os participantes já inscritos vão receber o convite para a reunião e os interessados podem se inscrever de 15/06 à 17/06 através do email: nucleocirandasp@gmail.com. Estamos utilizando a plataforma Google Meet e todos vão receber o convite por email 5 minutos antes do início.

Até lá!

Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP de 18/06/2020


“Quando digo que não há relação sexual, formulo, muito precisamente, esta verdade: que o sexo não define relação alguma no ser falante. Não é que eu negue a diferença que existe, desde tenra idade, entre o que chamamos de uma menina e um menino. É inclusive daí que eu parto”1.


“A identificação sexual não consiste em alguém se acreditar homem ou mulher, mas em levar em conta que existem mulheres para o menino, e existem homens, para a menina”2.


Tomando como ponto de partida estas duas citações de Lacan a respeito do tema de nossa pesquisa, destacamos que a diferença sexual entre homem e mulher está posta de entrada. A busca de formalização sobre o conceito de falo nos orienta a ressaltar este termo na relação primordial da mãe com a criança e que esta deseja ser desejada como significado fálico graças à operação da metáfora paterna. As consequências, desde Freud, são as identificações trabalhadas como semblantes em Lacan onde homem e mulher têm relação com o falo simbólico, isto é, marcado pelas leis da linguagem.


Lembrando que a irrupção do gozo heterogêneo é sempre traumática para o ser falante e que aponta para uma impossibilidade: nem tudo é significante, por mais que as crianças se dediquem à construção das teorias sexuais, fica um resto. E este será ordenado de algum modo pela via dos objetos pulsionais e pela fixação de gozo apoiado na fantasia. É desde a posição desejante que a escolha sexuada e inconsciente se opera.


Isto pôde ser ilustrado através de 3 vinhetas clínicas em que se sublinhou a importância daquilo que uma mulher transmite a partir de sua posição enquanto mãe, de modo paradigmático.


Hans, identificado à irmãzinha Anna, é tomado como fetiche pela mãe e se localiza em uma posição passiva. A metáfora paterna se realiza, mas como sabemos, é sempre falha e será preciso que Hans invente uma solução: a fobia vai permitir que ele encontre a suplência do pai a partir do sintoma e da fantasia. De modo singular, ele supre esta falha duplicando a mãe ao recorrer à avó paterna.


Gide, na medida em que não foi desejado e, portanto, não foi falicizado a despeito da dupla mãe, se localiza a partir da dissociação entre amor e desejo. Algo fica comprometido estruturalmente pela não inscrição do falo no simbólico que incide sobre o sentimento de vida. Sua solução radical é de tornar-se pedófilo.


Na jovem homossexual, sua solução vai se constituir a partir de uma ruptura representada pela gravidez da mãe. Decepcionada com o pai, abandona o desejo de filho e se dirige à mãe como objeto de amor, assumindo uma posição de desafio: ela pode dar sem ter e mostrar para o pai como se ama uma mulher. Ao jogar-se da ponte, ela demonstra a perda definitiva do objeto e uma espécie de parto simbólico. Ela se faz, ela mesma, essa criança que não teve.


Com essas considerações, é possível formular que a criança pode realizar uma dupla operação na mãe: dividir e preencher, ao mesmo tempo. A metáfora infantil do falo, assinalada por Miller3, como consequência da metáfora paterna, põe em jogo que é preciso que a metáfora infantil falhe, preservando o não todo do desejo feminino. Ao ser tomada como objeto do desejo da mãe, a criança pode ficar fixada nessa posição, sem acesso à significação fálica e à castração simbólica. Com isso, evidencia-se que não basta o Nome-do-pai para que se recalque, na mãe, seu ser de mulher. Vale dizer ainda que a função do pai diz respeito à humanização do desejo, na medida em que este se particularize sobre a criança, assim como cabe consentir que a mulher possa ser outra para si mesma.


Na segunda parte, discutimos o caso Matt em que foi ressaltada a tentativa de dar um nome a algo que não se inscreveu e que surge muito precocemente neste sujeito. A escuta do analista (no CPCT) permitiu interrogar o que era passível de ser questionado. Foi possível fazer uso de alguma ‘dialética’, com efeitos importantes e, inclusive uma certa suspensão de “tomada de decisões” e o direcionamento para um tratamento analítico.


Em nossa última reunião do semestre que será no dia 02/07/2020 às 20:00 hs, vamos discutir os pontos que levantamos, articulando questões epistêmicas do texto de D. Roy4 aos textos de orientação da pesquisa à luz do percurso que construímos até o momento.


Os participantes já inscritos vão receber o convite para a reunião e os novos interessados podem se inscrever de 29/06 até 01/07 através do email: nucleocirandasp@gmail.com.

Todos receberão o link da reunião por e-mail 10 minutos antes do início.

Até lá!


1 Lacan, J. O Seminário, livro 19: ...ou pior. Rio de Janeiro: Zahar, 2012, p. 13.

2 Lacan, J. O Seminário, livro 18: de um discurso que não fosse semblante. Rio de Janeiro: Zahar, 2009, p. 33.

3http://www.opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_15/crianca_entre_mulher_mae.pdf

4 Roy, D. Trans: sexo e gênero na idade da infância. In: SANTIAGO, A.L. (Org.). Mais além do gênero: o corpo adolescente e seus sintomas. Belo Horizonte: Scriptum, 2017. p. 177-188.


Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP de 02.07.2020


Em nossa última reunião do semestre, abrimos a perspectiva sobre a questão do pai em nosso percurso de pesquisa.


Trabalhamos a criança como falo imaginário da mãe correlativo à metáfora paterna e à significação fálica como noções que se articulam com os dois primeiros paradigmas do gozo, de acordo com Miller. Este período do ensino de Lacan (anos 50) corresponde a ideia da criança-falo e nos propomos a acompanhar o deslocamento para a criança-objeto (anos 60).

Em “Nota sobre a criança”, Lacan avança sobre a função do pai, antes concebido como operador de regulação do desejo articulado à dimensão simbólica do falo, afirmando sobre o pai (...) “na medida em que seu nome é o vetor de uma encarnação da Lei no desejo”1.


Neste momento, coloca-se em jogo a primeira versão do real no ensino que pode ser localizada no Seminário 7, ao trazer o conceito freudiano de das Ding, como uma espécie de chiste por seu caráter estranho – Umheimlich – pois não se trata de um termo simbólico. Lembremos que a mãe ocupa o lugar de das Ding, é o objeto por excelência, protegida pela barreira do Édipo. O acesso a esse gozo se dá por um forçamento, por ser estruturalmente inacessível só se dá por transgressão. Aqui fica nomeado o gozo como impossível.


O falo será denominado significante do gozo – enquanto símbolo de das Ding – mas como lugar vazio. Este termo será abandonado, a noção de gozo fragmentado vai adquirir uma centralidade no ensino e como “a própria natureza do gozo parece rebelde para ser conservada sob o temo de significante”2, Lacan introduz então, o objeto pequeno a.


E quais seriam as consequências para a função paterna? O pai passa a representar não somente proibição, que interdita, mas como aquele que faz recorte, uma extração e por outro lado, causa desejo. Sua função, portanto, seria a de subjetivar no simbólico o que faz no real, impossível. “O pai enquanto vetor de uma encarnação da Lei no desejo” (Seminário 11) significa inscrever o menos phi (- ϕ), ou seja, a subjetivação do objeto como falta. Quando isso não ocorre, o objeto fica positivado e pode caber à criança ocupar o lugar de objeto da fantasia da mãe.


Ainda em ‘Notas sobre a criança’, trabalhamos a referência do pai como aquele que teria que assegurar “a distância entre a identificação com o ideal do eu e o papel assumido pelo desejo da mãe”3, e algumas consequências quando isso não ocorre.


Encontramos uma terceira escansão sobre a função do pai como aquele que localiza a mulher como causa de desejo que se refere ao último ensino e que vamos nos debruçar mais adiante.

Retomamos a discussão sobre o texto de D. Roy5, em que o significante “trans” se destaca como agalmático e marcado na atualidade. Que utilidade pode ter este nome? Esta foi a questão que nos ocorreu para pensar a clínica e o que aparece como demandas em relação às tentativas e os esforços em torno da nomeação de sujeitos confrontados com o gozo opaco que não entra no simbólico e que se apresenta como uma alteridade radical. Depois da infância, o sujeito tem que inscrever a diferença sexual no discurso, a partir de um gozo heterogêneo, enigmático, aquele que se liga ao sexo e que ao não ser absorvido pela via fálica, se sintomatiza e não caberá ao analista normatizar, já que toda a sexualidade, desde Freud, é perversa e polimorfa.

Vamos retomar nossas reuniões no dia 30.07.2020 às 20:00hs


Solicitamos aos novos interessados que se inscrevam e aos já inscritos que confirmem seu interesse em acompanhar as reuniões do 2º semestre/2020, através do e-mail nucleocirandasp@gmail.com. Estamos atualizando nossa lista até o dia 29.07.2020. O link para acesso será enviado 15 minutos antes do horário da reunião.


Cronograma previsto para o segundo semestre:

Agosto: 13 e 27

Setembro: 10 e 24

Outubro: 08 e 22

Novembro: 05 e 26


Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP em 30.07.2020


Retomamos as reuniões neste semestre tomando como ponto de partida os dois textos de D. Roy1para discutir a distinção entre sexuação e diferença sexual. Procuramos trabalhar, a partir do fato de que o ser sexuado traz uma marca enigmática em seu próprio corpo, um traço de alteridade absoluta de sua condição e que encontra na distinção de gênero uma primeira roupagem, vinda do Outro. A sexuação se refere à posição de gozo do falasser, em que o corpo é incluído de outro modo no último ensino de Lacan, enquanto a diferença sexual diz respeito à diferença absoluta.


A infância seria o tempo em que cada um tem que lidar com o fato de ser sexuado, em que pese a falha inata, natural sobre o não saber a respeito do que é ser homem ou ser mulher, evidenciando a falha entre os semblantes e o gozo – sempre estrangeiro e invasivo. Será preciso, portanto, construir um saber sintomático sobre o que não é conciliável e caberá ao analista, na clínica, investigar como a criança se coloca diante da falta frente à castração e como ela interroga o gozo dos pais.


Cabe retomar a citação, que já trabalhamos em Lacan no Seminário 18, mas que neste ponto, avançamos mais um passo: “A identificação sexual não consiste em alguém se acreditar homem ou mulher, mas em levar em conta que existem mulheres, para o menino, e existem homens, para a menina. E o importante nem é tanto o que eles experimentam, o que é uma situação real, permitam-me dizer. É que, para os homens, a menina é o falo, e é isso que os castra. Para as mulheres, o menino é a mesma coisa, o falo, e ele é também o que as castra, porque elas só adquirem um pênis, e isso é falho. No começo, nem o menino nem a menina correm riscos, a não ser pelos dramas que desencadeiam; por um momento, eles são o falo. É esse o real, o real do gozo sexual enquanto destacado como tal: é o falo. Em outras palavras, o Nome do Pai.”2


Nas fórmulas das sexuação, vemos a elaboração de um gozo fora da chave fálica, suplementar e que não está inscrito na linguagem, é estrutural e impossível de dizer. Para entender a diferença sexual e a sexuação, há algo além da dialética fálica, mas não sem o falo, Lacan vai dar ênfase à castração operada pela linguagem que estabelece a diferença e ir além do mito edípico freudiano em direção à questão do gozo estrangeiro. Assim, acompanhamos Lacan no Seminário 19, ao definir mais um avanço no trabalho sobre o falo: “Por que não seria possível imaginar e escrever uma função do gozo?”3


Na próxima reunião no dia 13.07.2020 às 20:00, vamos trabalhar um pouco mais essa passagem do falo como significante para a função do falo em nossas discussões com a contribuição de Eduardo Vallejos na primeira parte. E propomos uma conversação sobre o caso Lo Perdido, a partir de uma leitura passo a passo para aprofundar os momentos cruciais na direção do tratamento de uma criança.


O link da reunião será enviado 15 minutos antes do início aos participantes inscritos. Novos interessados podem ser inscrever até o dia 12.08.2020 através do email: nucleocirandasp@gmail.com


Até lá!



1 Roy, D. https://institut-enfant.fr/zappeur-jie6/etre-sexue-1/ e https://institut-enfant.fr/zappeur-jie6/etre-sexue-2/

2 Lacan, J. Seminário, livro 18: de um discurso que não fosse semblante (1971). Rio de Janeiro: Zahar, 2009, p. 33

3 Lacan, J. Seminário, livro 19: ...ou pior (1971-2). Rio de Janeiro: Zahar, 2012, p. 20

4 Nizcaner, D. “Lo perdido” In: Kuperwajs, I. (compiladora). Psicoanalisis com niños 3. Tramar lo singular. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2010, p.93-97


Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP em 13.08.2020

Começamos o encontro com a contribuição do colega participante do Núcleo Eduardo Vallejos, cuja pesquisa se refere ao estatuto do semblante na perspectiva da père-version, os usos do semblante e a sexuação.. Retomando o estatuto do falo e o declínio do Nome-do-pai em relação à virilidade e aos usos do semblante, desenvolve a passagem do falo imaginário ao falo como significante. Refere-se ao Seminário 8[1] para localizar a função simbólica do falo como signo do desejo, presença de uma ausência, e se pergunta de que modo significante e gozo se articulam. E a partir da consideração da imiscuição do adulto na criança, tal como proposta no texto de orientação[2], se detém no estatuto da função do falo como significado do gozo.


Também traz elementos para pensar a passagem do estatuto do falo à dimensão do semblante, levando em consideração as contribuições de Miller em seu curso “De la naturaleza de los Semblantes”. Aguardamos com entusiasmo o produto da sua pesquisa.


Na segunda parte de nosso encontro, apresentamos o caso “Lo perdido” de nossa colega de EOL, Debora Nizcaner[3]. O caso nos ensina de que modo na clínica com crianças a questão se centra na pergunta pelo desejo do Outro e também esclarece acerca das incidências do discurso analítico no tratamento de um problema libidinal bem como do problema do gozo em uma criança.


O caso apresentado permite considerar de que modo - tal como Brousse[4] nos orienta - a diferença sexual se formula no campo das identificações e da fantasia. Na conversação, foi destacada a imiscuição do adulto na criança, a posição da criança no discurso parental e o lugar do saber da criança, como um saber autêntico, sabido ou não, um saber respeitado em a sua conexão como o gozo, tal como é considerado por Miller, em A criança e o saber[5].


Em nossa próxima reunião, 27/08, retomaremos o caso Lo perdido, a partir da frase fantasmática e a importância dessa circunscrição e desdobramentos em um tratamento analítico. Também seguiremos com apontamentos do Paradigma 4[6] na medida em que se articulam à pesquisa de nosso Núcleo.


O link da reunião será enviado 15 minutos antes do início aos participantes inscritos. Novos interessados podem ser inscrever até o dia 26.08.2020 através do email:

nucleocirandasp@gmail.com

Até lá!

Coordenação Núcleo Ciranda-SP

Camille Apolinario Gavioli

Raquel Diaz Degenszajn

Colaboração

Silvia Jacobo

[1] (1960-61) O Seminário, livro 8: A Transferência. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1992.

[2] http://ciendigital.com.br/index.php/2019/11/17/quatro-perspectivas-sobre-a-diferenca-sexual/

[3] Nizcaner, D. “Lo perdido” In: Kuperwajs, I. (compiladora). Psicoanalisis com niños 3. Tramar lo singular. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2010, p.93-97

[4] http://ciendigital.com.br/index.php/2019/11/17/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual/

[5] http://ciendigital.com.br/wp-content/uploads/2018/11/CIEN-Digital11.pdf

[6] http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf

Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP de 27.08.2020

Nesta reunião, aprofundamos um pouco mais a discussão do caso “Lo perdido”1. Para tanto, partimos da afirmação de M.H. Brousse: “é certo que a diferença sexual só pode se formular no campo da identificação e da fantasia. Ser classificado por gênero só é possível do lado da lógica do todo e da exceção fálica”2.


Trata-se de uma escolha – sempre sintomática – quanto à posição sexuada e que tem a ver com o consentimento do sujeito.

A constituição da fantasia, solidária às operações de efetuação da estrutura do sujeito, graças às operações de alienação e separação, é estabelecida por Lacan como uma resposta ao enigma do desejo do Outro e articula gozo e desejo. Trata-se de um modo de acesso à satisfação para o sujeito, pois localiza o gozo e um modo de gozar, e ordena a realidade do sujeito.


“Você pode me perder?” é a questão que inaugura esta inversão em que o sujeito se transforma em objeto para o Outro e que no caso, fica evidenciado pela interpretação que a analista faz sobre “a criança perdida no desejo materno”3, fazendo um corte sobre a escuta dos pais para a escuta da criança, uma vez marcado um significante particular deste sujeito.


A fantasia permite velar o real, mas há algo que resta e que vai se sintomatizar. No Seminário 6, acompanhamos a dimensão simbólica da fantasia que se refere a uma frase fantasmática que permite localizar lugares: o sujeito, o objeto e o Outro. O sujeito se localiza e se inclui na cena em questão, devido à fixação da repetição em que se estabelece uma determinada gramática pulsional.


Lembremos que no Seminário 11, Lacan articula desejo e gozo a partir do objeto, trazendo a noção de causa de desejo. Cabe distinguir o objeto da pulsão que cumpre um circuito, ao ser contornado pela pulsão acéfala do objeto da fantasia.


A resposta subjetiva desta criança, no ponto de virada do tratamento em que passará a ser escutado pela analista, pois o separa do mito familiar, advém sob forma sintomática e se apresenta sob transferência. É preciso que a analista se oriente pelo sintoma para dar conta do gozo e é isto que podemos acompanhar a partir da interpretação que a analista faz sobre essa dimensão quando o garoto fica sonolento e vai para o banheiro durante as sessões.


Vale ressaltar que a enurese, para Freud, corresponde à excitação sexual e se refere a uma satisfação de gozo, com Lacan podemos dizer que se trata de um gozo hetero que irrompe e que se sintomatiza. Neste caso, o sintoma “desperta” o garoto, perturbado por um gozo estrangeiro. Ao intervir: “você pode fazer com ele o que quiser”, a analista permite dar um valor de uso do falo, articulando aquilo que no órgão ganha valor fálico e se inscreve no corpo.


Na sequência do tratamento, notamos o trabalho que se sucede em torno de desenhos de labirintos e da construção que a criança faz de um campo que se divide entre meninos e meninas, evidenciando a entrada na dialética fálica. “Eu tenho uma cenoura e dois ovos” é o modo como este menino vai responder aos colegas quando “zoam ele”. Ademais, decide escrever uma carta de amor para uma menina, apontando as consequências da operação da sexuação e da escolha de objeto.


Finalmente, podemos acrescentar algo dos efeitos deste tratamento, além da inclinação pela arte por parte deste menino, ligado à questão da identificação viril do lado do ideal: ser engenheiro, como o pai.


Pretendemos na próxima reunião que será no dia 10.09.2020 às 20:00 hs, trabalhar o quarto paradigma de Miller4 e discutir o texto publicado recentemente em Rayuela: “Algumas pontuações na evaporação do pai” de Paula Husni5.


O link da reunião será enviado 15 minutos antes do início aos participantes inscritos. Novos interessados podem ser inscrever até o dia 09.09.2020 através do email:

nucleocirandasp@gmail.com


Até lá!


Referências:

1 Nizcaner, D. “Lo perdido” In: Kuperwajs, I. (compiladora). Psicoanalisis com niños 3. Tramar lo singular. Buenos Aires: Grama Ediciones, 2010, p.93-97

2 Brousse, M.H. http://ciendigital.com.br/index.php/2019/11/17/o-buraco-negro-da-diferenca-sexual/

3 Nitzcaner, D. Op. cit., p. 95

4Miller,J.A. http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf

5 Husni, P. http://www.revistarayuela.com/es/007/template.php?file=notas/algunas-puntuaciones-sobre-la-evaporacion-del-padre.html



Resenha da reunião do Núcleo Ciranda-SP de 10.09.2020

Dando continuidade ao trabalho epistêmico em torno do texto de Miller1 que tem orientado nossa pesquisa, avançamos a discussão sobre o paradigma 4, intitulado como “gozo normal”, cujo ponto fundamental é a noção de objeto a.


Trata-se de um momento de virada no ensino de Lacan, marcado pela ex-comunhão da IPA e pelo desenvolvimento dos quatro conceitos fundamentais, a partir da releitura de Freud empreendida ao longo dos 10 anos que antecederam este momento. Vale dizer que uma nova abertura se dará em torno da pluralização dos Nomes do Pai.


Temos, então, o gozo fragmentado e acessível via pulsão, o que significa dizer que o gozo vai se inscrever na estrutura pela via do gozo pulsional, abandonando a noção daquilo que não pode ser simbolizado e está fora do sistema. Assim como a pulsão, Lacan vai propor o funcionamento do inconsciente como uma hiância, em termos de abertura e fechamento, tornando-o homogêneo a uma zona erógena, afirmando uma aliança entre significante e gozo. A satisfação será concebida pela via da repetição do circuito pulsional que se constrói no trajeto em torno do objeto, contornando o vazio.


Graças à elaboração das operações de constituição do sujeito – alienação e separação – o gozo está presente no funcionamento significante, além do desejo.Primeiramente, a identificação supõe um significante que representa o sujeito, um significante, de certa forma, absorvente, que está no Outro e com o qual o sujeito se identifica ao mesmo tempo em que permanece como conjunto vazio. Trata-se do que Lacan chama de divisão do sujeito. (...) O que Lacan chama de separação é a sua maneira de retraduzir a função da pulsão como respondendo à identificação e ao recalque. Ali onde havia o sujeito vazio, aparece, então, o objeto perdido, o objeto pequeno a.”2


Portanto, há uma sobreposição da estrutura do sujeito à estrutura do gozo: na medida em que o sujeito se define como falta a ser. E nesta mesma direção, o inconsciente é pensado por Lacan como uma descontinuidade, algo bastante distinto da noção de ordem e cadeia, que predominava sob a égide do simbólico.


O procedimento utilizado por Lacan consiste em elementarizar das Ding na forma de objeto pequeno a, na medida em que ele encarna e a reproduz, é sua figura elementar e ao mesmo tempo, provém do Outro. “É como se, pelo objeto pequeno a, o Outro do significante impusesse sua estrutura à Coisa” (p. 21). Embora o objeto a seja um elemento de gozo, portanto, substancial, ele tem uma outra estrutura, mas se apresenta como um elemento. E esta propriedade encarna a sua inscrição na ordem simbólica.


Em seguida, assistimos ao curta metragem: “Vestido nuevo” de Sergi Perez3 que ilustra alguns pontos levantados no percurso das nossas discussões, a saber: a imiscuição do adulto na criança, a violência do Outro e a questão do semblante e seu uso.


Pretendemos abordar a questão do pai a partir do texto de P. Husni4 e seguir na trilha dos deslocamentos conceituais do ensino de Lacan e suas consequências, tendo em vista a clínica e como esta se apresenta na atualidade. A próxima reunião será no dia 24.09.2020 às 20:00.


O link da reunião será enviado 15 minutos antes do início aos participantes inscritos. Novos interessados podem se inscrever até o dia 23.09.2020 através do email: nucleocirandasp@gmail.com

Até lá!

1Miller,J.A. http://opcaolacaniana.com.br/pdf/numero_7/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf

2 Ibidem, p. 18

3 https://www.youtube.com/watch?v=4yRPLx6eZfc&t=704s

4Husni, P. http://www.revistarayuela.com/es/007/template.php?file=notas/algunas-puntuaciones-sobre-la-evaporacion-del-padre.html



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