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Aconteceu - Jornada de Ensino e Pesquisa

July 24, 2018

Sábado 09 de junho de 2018

Jornada de ensino e pesquisa – Apresentação de trabalhos de alunos dos Ciclos e de Núcleos de Pesquisa

 

 

Abertura, por Mônica Bueno (SP), responsável pelas atividades de Ensino e Pesquisa

 

A formação do analista  se  sustenta num tripé do qual fazem parte o estudo da teoria, a análise pessoal e a supervisão. Ainda que o estudo teórico não seja suficiente para a formação do analista, ele é indispensável.

Se, como diz Freud, governar, ensinar, e curar são ofícios impossíveis, transmitir a psicanálise é a convergência de dois impossíveis.

Como transmitir o que sempre está pela metade, que não se mostra por inteiro, que tem sempre um lado velado? Como transmitir a prática do não saber? A prática que faz uso do furo?

Para Lacan, o impossível do ensino não impede de avançar, não impede o ensino do impossível. O encontro com o impossível dá lugar a uma renovação do ensino, “se constata que ao confrontar-se com sua impossibilidade, o ensino se renova” (Lacan por Vincennes!)

Do outro lado, dos alunos, há também um desafio.

Freud, no texto “Totem e tabu” cita Goethe em Fausto: “Aquilo que herdaste dos teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”.  Neste momento, Freud faz referência ao pai. Pensando na questão da transmissão, um movimento ativo é necessário do lado de quem aprende.

Um desejo se coloca, e uma apropriação, que demanda que cada um coloque aí algo de si. É um desafio e tanto!

 

Mesa 1, por Marilsa Basso (SP)

 

A Jornadas de alunos do CLIN-a 2018 começou bem animada.

Uma das primeiras mesas trouxe trabalhos suficientemente instigantes para que o desenrolar das discussões fosse até o ponto de ultrapassar nosso tempo. Ou seja, nos deixou com um “quero mais” que invadiu nosso intervalinho. Eis o espírito de ensino-pesquisa!

Caroline Minchillo faz uma articulação difícil e polêmica entre “Feminismo e psicanálise”. Perpassou a visão da antropologia, de Freud, chegando à psicanálise de nosso tempo. Dou um destaque à sua frase: “Estamos ainda em uma cultura fálica”.

Felipe Bier teceu seu tema trazendo “Reflexões sobre a devastação: o significante falo e o amor”. Já mostra em seu percurso neste trabalho como está se preparando para as Jornadas da Seção SP - “Amor e sexo em tempos de (des)conexão”, rumo ao XXII Encontro Brasileiro “A queda do falocentrismo". Arrisca, como ele mesmo diz, afirmando: “o gozo feminino – e sobretudo o sintoma-devastação – diz sobre a ficção da substância do falo".

Victor França em “A inexistência da relação sexual e os sintomas amorosos na contemporaneidade” está igualmente em conexão com o tema das Jornadas da Seção São Paulo 2018. Um trabalho que contextualiza a sociedade contemporânea fundamentado na filosofia. Inicia afirmando que todas as figuras de autoridade vão entrando em declínio e termina falando sobre o amor e o excesso de gozo.

Assim, Instituto e Escola cumprem cada um de seu lado e seus diferentes lugares, suas diferentes funções, mas conectados de alguma maneira.

 

Mesa 2, por Claudia Reis (RP) e Ana Paula Borges (SJC)

 

A mesa 2 das Jornadas de Ensino e Pesquisa foi composta por quatro trabalhos. Dois deles abordaram como cada tipo clínico da neurose opera com o próprio desejo. Questões sobre a herança do pai transmitida na neurose obsessiva aqueceram a discussão e as vias por onde o desejo do sujeito pode se vivificar. Os outros dois também "conversam" entre si: uma elaboração em torno do ter um corpo, leva a autora a abordar o corpo como imagem; o outro, pesquisa o processo do corpo capturado pelo código do Outro e seus efeitos no sujeito.

O desfecho da mesa foi muito interessante, com os participantes colocando os pontos em que foram causados a produzirem seus trabalhos.

A estátua em que o homem se projeta: o corpo como imagem - Ivy G. de Almeida (Campinas)

Os disfarces do desejo: o primeiro sonho de Dora - Marcelo Kacimiro (SP)

A posição de morto na neurose obsessiva: uma herança do pai? - Hector Espagnoli (Campinas)

Grafo do desejo: um modo particular de enunciação - Heloísa Silva Teixeira (SP)

Estes foram os trabalhos apresentados.
 

Mesa 3, por Maria de Lourdes Mattos (SP)

 

A mesa que tive a satisfação de comentar contou com a apresentação de três excelentes trabalhos, cujos títulos escolhidos por cada autor estavam bem de acordo com o desenvolvimento temático: “Ode ao saber”, de João Lucas Zanchi; “Retorno ao conceito de transferência como efeito da experiência clínica”, de Andressa Contó Luz; “O inconsciente e o desejo do analista: função e campo cirúrgicos”, de Fabrício Donizete da Costa.

A conversa entre os trabalhos se estabeleceu a partir do tema, “o saber do psicanalista” e questões referentes ao saber, à transferência, ao desejo do analista, a passagem ao ato... animaram uma calorosa discussão.

 

Mesa 4¸ por Cristiana Gallo (RP)

 

Nesta mesa de trabalho destacou-se dos textos a apresentação dos casos clínicos, abordando-se o tema da transferência e seus manejos nas diferentes estruturas em questão.

A partir da construção de cada caso clínico foi possível tocar em alguns conceitos utilizados para formalizar a nossa prática analítica, tais como borda, neoborda, devastação, furo no corpo e furo no saber.

Os trabalhos apresentados foram:

  • O “forasteiro” da língua - Janaína de Paula C. Veríssimo (Núcleo de Psicose – SP)

  • Um corpo objeto, mas por onde há fruição da vida - Rebeca M. Costa (Campinas)

  • O que ensina a psicose ordinária sobre como a criança… - Cynthia G. Gindro (SP)

 

Mesa 5, por Cláudia Regina Santa Silva (Campinas) e Cassia Guardado (SP)

 

Nesta mesa, a reflexão trouxe à baila o fracasso do discurso da ciência e como um dos efeitos dessa falha pode trazer, quiçá fortalecer, pontos do discurso religioso marcado por um fundamentalismo que amedronta. Mas ficou evidente que o real insiste em se apresentar, e as promessas de soluções do mal estar contemporâneo não se localizam em uma retomada de modelos identificatório. Prosseguindo na discussão, e avançando no que a psicanálise pode nos ensinar em tempos contemporâneos, o trabalho “Uma psicose hipnótica em tempos de WhatsApp”, deixa, a partir de um caso, uma pista: é preciso que o analista em nossa época seja um “suposto-saber-ler-de-outro modo”, incluindo aí o que é singular do desejo do analista, e por que não, acompanhe como um segui-dor, uma solução via WhatsApp.

E, para finalizar, os desencontros e impossibilidades do amor deixa claro que os meandros do amor passam por reafirmar o fato de que a relação sexual não existe e nunca existirá. Algo do mal-estar no encontro com o Outro sexo sempre estará lá.

Os trabalhos apresentados foram:

  • O fracasso do discurso da ciência - Antonio Alberto Almeida (SP)

  • Deus do medo - Dumit C. Abbud (SP)

  • Uma psicose hipnótica - Rubens Berlitz (Núcleo de Psicose - SP)

 

Mesa 6, por Heloisa Silva Teixeira (Belo Horizonte - MG) e Eliana Machado Figueiredo (SP)

(Debatedora da mesa Cristina Drummond – EBP-MG)

 

Cristina Drummond debate os trabalhos da última mesa já introduzindo a temática de sua conferência “A lógica clínica sem o sentido fálico”, trazendo o objeto a como assexuado e como um novo objeto na sexualidade, separado do Grande Outro, apontando para uma clínica contemporânea do gozo. No trabalho de José Danilo Canezin. o corpo do sujeito aparece marcado por um curto-circuito com o grande outro nas adicções, por isso, não se trata mais do objeto, da histérica e do obsessivo, aquele a ser reencontrado, mas um objeto qualquer de que se possa gozar.

A clínica do gozo perpassa por outros paradigmas onde para todo o sujeito a experiência do gozo no corpo é recoberta com formulações e nomeações que apagam as diferenças onde a sexualidade fica a cargo de cada um. Nomeação que não vem situar o sujeito na partilha sexual e sim apaziguar algo de si nas tentativas de fazer um sintoma.

Apontamentos sobre o feminino no trabalho de Daniela Fornaciari, localizam algo de uma outra ordem no contemporâneo onde vários agrupamentos se organizam com possíveis nomes de gozo. Necessidade de agrupamentos onde o sujeito feminino navega nos dois lados da sexuação, onde o falo não serve mais para orientar o gozo. O sujeito holofraseia com o objeto num mundo não todo onde falta o universal como orientador, gerando efeitos de perda da constância do corpo, gerando angústia.

Em seu trabalho Silvia aponta que a investigação do núcleo desde o início mantém a ideia de que a eleição do sexo se faz por uma montagem que inclui um imaginário corporal, a identificação e o simbólico quando se nomeia algo da especificidade do modo de gozo singular, que se faz sintomático, amarrando o real fora do sentido e que não se reduz ao campo do Outro.

Em seu trabalho Vithor questiona o virtual, dizendo que por mais que possa ser realista a interação com o virtual há sempre uma perda, é um preço a pagar, o que mostra que está cada vez mais opaca a distinção entre desejo e gozo. E Cristina marca que entre o real e o virtual o que tem no meio do caminho é o corpo do sujeito e o gozo vem para organizar essa experiência. Nos diz que estamos num mundo que impõe o universal para todos e exclui muitas soluções singulares. Há que se ter um cuidado porque pode ser uma nova maneira de impossibilitar para alguns ou introduzir um recurso para outros. A ver, no caso a caso como o corpo pode tomar consistência a partir do recurso virtual.

 Os trabalhos apresentados foram:

  • Sobre cócegas, drogas e labaredas - José Danilo Canesin (Núcleo de Pesquisa em Toxicomania e Psicanálise de Ribeirão Preto)

  • A escolha do sexo e o infantil - Sílvia Sato (Ciranda - Núcleo de Ribeirão Preto)

  • Eu também (não) - Daniela Fornaciari (Ribeirão Preto)

  • O mal-estar no encontro virtual com o Outro na contemporaneidade - Vithor França Leal (Campinas)

 

Conferência de Cristina Drummond com comentários de Cynthia Freitas, por Heloisa Silva Teixeira (Belo Horizonte - MG)

 

Após comentar os trabalhos Cristina Drummond continua a desenvolver o tema já apontando para o XXII Encontro Brasileiro “A queda do falocentrismo”, passando pelos três axiomas de Lacan: não há relação sexual, há o Um e Incautos do real para falar de uma desordem no sentimento de vida indicando uma forclusão generalizada numa lógica para todos. Pensar essa clínica é dizer que estamos diante da queda do falocentrismo onde o neurótico não mais se vale da norma atual, a libido dispersa no corpo e a nomeação vem no lugar da metáfora paterna inoperante, porém não inexistente, dando lugar às soluções singulares.

Na clínica do final de análise há que se aprender com os testemunhos dos AEs e suas indicações sobre maneiras de nomeação de gozo, sabendo que a invenção só é uma nomeação quando ela se insere na língua. Há um esforço de Miller a nos indicar em como formular a lógica do escabelo e sintoma do falasser onde “todo mundo é louco” e repensar a direção do tratamento, o lugar da fantasia e a multiplicidade de soluções das neuroses e psicoses ordinárias. Analista-corpo pode levar a uma transformação do corpo mortificado a um corpo que pode alojar e suportar a satisfação, tornando fundamental nos orientarmos no desejo do analista esvaziado de gozo e onde no último Lacan aparece o analista vivo como corpo próprio onde o sujeito, na transferência pode amarrar seu gozo a um parceiro circunstancial.

Da sociedade do Nome-do-Pai para a sociedade parceiro-sintoma em suas relações com o Um do gozo, alíngua e metaforização do gozo na língua, onde o sujeito vai se inscrever para além do falo no nível do real do gozo da passagem da metáfora para a metonímia na qual o campo sexual se vê desinvestido. Modos de gozo tomados em sua diversidade e singularidade na amarração dos registros RSI a saber  em que a sexualidade concerne nas categorias de gozo fora do NP e suas tentativas de melhor localizar a questão das nomeações. A lei de ferro deu lugar a nomeação e a invenção onde o real escapa de ser inscrito e o analista aparece como aquele que segue o analisante, analista seguidor, enquanto parceiro de gozo uma fixação não-edipiana, aquele que faz do verdadeiro o tropeço. Invenção de amarração pelo sintoma que dispensa o sentido para o novo pensamento. Letras de um alfabeto desconhecido que só vale para um.

A conferência poderá ser lida em: www.clin-a.com.br/single-post/2018/06/13/A-lógica-clínica-sem-o-sentido-fálico

 

Encerramento por Valéria Ferranti (Diretor-Presidente do CLIN-a)

 

Para encerrar esse dia de trabalho agradeço à  Cristina Drummond pela transmissão cuidadosa e generosa e também pela autorização para que sua conferência seja publicada no site do Clin-a. 

Agradeço a Lucíola Darrigo e  Rubens Berlitz pelo trabalho dedicado na orquestração desta jornada.

Agradeço aos comentadores dos trabalhos pela leitura generosa.

Um agradecimento especial a todos os alunos e integrantes dos núcleos  que aceitaram  colocar a público sua produção.  É o trabalho de cada um que agora retorna para o CLIN-a, na forma de uma pergunta sobre a transmissão, transmissão que fazemos aqui.

 

 

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