Núcleo de pesquisa em apresentação de pacientes e psicoses

Frequência: quinzenal
Dia: sextas-feiras.
Horário: 14:00 as 15:30
Inicio: 11/03/2022
Plataforma: Zoom (CLIN-a)
Coordenação: Rubens Berlitz
Wattsapp: (11) 99157.5500
rubensberlitz@hotmail.com

Argumento 2022

O Núcleo de Pesquisa em Apresentação de Pacientes e Psicoses para 2022, desenvolverá sua investigação a partir da leitura comentada das transcrição das apresentações de pacientes realizadas por Lacan, Miller e outros psicanalistas do Campo Freudiano.

Observamos nos casos de psicose e nas apresentações de pacientes trabalhadas em  2021, sujeitos que apresentam dificuldades de se conectar com o laço social, evidencia-se nestes sujeitos a predominância em fazer uso de  pedaços de real, mais do que de significantes para se manter minimamente localizado no mundo.

Lacan avança em relação às suas elaborações sobre psicose e sua implicação no tratamento psicanalítico. Do seminário 3 ao seminário 23, onde ele elabora a topologia dos nós e  realiza  a passagem de uma clínica orientada pelo simbólico, para uma clínica do Real. Se  no seminário sobre as psicoses, a Verwerfung, a foraclusão do Nome-do-pai era o que caracterizava a entrada na psicose, no seminário 23, a foraclusão estará para todo o ser falante em alguma medida – foraclusão generalizada.

É no seminário 23[1], que Lacan conclui que o nó de três apresenta-se “insuficiente”, falho para manter os três registros unidos, ou seja, não é consistente por si só para manter estáveis e articulados R,S,I, necessitando de algo que faça suplência para uma não ruptura do laço social. É então, que formulará o “fixador” do nó de três, o sinthoma, que passa a ser uma suplência do pai e do falo, garantidores da clínica que privilegiava o simbólico.

O Nome-do-pai, a partir desta nova perspectiva, passa a ser considerado como apenas um entre as várias possibilidades de amarrações entre os registros, sendo o Sinthoma, o “quarto elemento” que propiciará a função de amarração. Neste sentido, encontramos uma afirmação de Lacan[2], quanto a função do pai na estruturação do falasser: “Por isso a psicanálise, ao ser bem-sucedida, prova que podemos prescindir do Nome-do-pai. Podemos sobretudo prescindir com a condição de nos servirmos dele”.

O nó de quatro elementos – Sinthoma – mostra-se para todo ser falante, desta forma temos a “generalização do sinthoma”, que tem a função de conexão e possibilita a amarração dos registros, bem como a reparação do nó. Temos assim, cada um com seu sinthoma, isso é, a forma como cada um utiliza o que tem, “importa, assim, a maneira por meio da qual cada um transforma determinados artefatos em formas de suprir e sustentar a relação com o mundo, inventando um saber fazer com o gozo”[3].

Faremos um exercício, em cada caso estudado, de localizar o que sustentou o paciente até o momento de sua ruptura ou desestabilização.  Utilizando o material transcrito das apresentações de pacientes, visamos pesquisar ainda os desarranjos e desmontagens que fizeram ruptura no nó e as consequências sofridas quando está ruptura acontece em um ou em outro registro.

 

Bibliografia
Bordou, Paula (org.). Caminhos de estabilização na psicose. Rio de Janeiro. ICP-RJ/Subversos, 2011.
Lacan, J. (1975-76). O Seminário, livro 23:  O Sinthoma. Rio de Janeiro: JZE, 2007.
Miller, J-A. Perspectivas do seminário 23 de Lacan. O SINTHOMA. Rio de Janeiro: JZE, 2009.
Miller, J-A. Piezas sueltas. Capítulos I, IV, V, VII, XIX. Buenos Aires: Paidós, 2013.
Miller, J-A. El ultimíssimo Lacan. Capítulos II, IV,VII, IX, X, XIBuenos Aires: Paidós, 2014.
Sorias Dalfunchio, Nieves. De donde agarrar-se?In: Ni neuroses no psicoses? Buenos Aires: Ed. Del Bucle, 2008.

[1] Lacan, J. (1975-76). O Seminário, livro 23:  O Sinthoma. Rio de Janeiro: JZE, 2007.
[2] Ibid., p. 132.
[3] Bordou, Paula (org.). Caminhos de estabilização na psicose. Rio de Janeiro. ICP-RJ/Subversos, 2011.
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