Neste número o Núcleo de Recursos Humanos apresenta, em Notícias, os temas que estão investigando, entre os quais, os limites da atuação do psicanalista na organização. Ainda nesta seção, divulgamos novamente as informações publicadas no Boletim anterior sobre as V Jornadas de Ensino e Pesquisa do Clin-a, previstas para 13 de dezembro.
Aconteceu, traz um comentário da seção de “Cinema e Psicanálise”, a partir do filme “A palavra” de Carl Th. Dreyer.
Dentro do tema do próximo Encontro da EBP – “Psicanálise e Felicidade” – Cássia M. R. Guardado, na seção Entrevista, faz importantes articulações sobre a convergência entre o sintoma e a felicidade.
Canto da Biblioteca apresenta o texto “A função do pai em psicanálise: do pai do traumatismo ao pai da père-version”, de Luiz Fernando Belmonte Mena, baseado em sua dissertação de mestrado.
Agenda informa sobre as atividades do Clin-a do mês do novembro, em São Paulo, Campinas, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Presidente Prudente.
Maria de Lourdes Mattos
Continuamos com os preparativos da V Jornada de Ensino e Pesquisa e informamos aos alunos dos cursos do CLIN-a que o prazo para o envio dos trabalhos de final de ano é até o dia 15 de novembro de 2008.
Os textos devem trazer uma questão articulada a um tema ou conceito(s) trabalhado(s) no curso e enviados por e-mail ao CLIN-a no seguinte formato: Word, estilo normal, fonte Times New Roman tamanho 12, espaço entre linhas de 1,5, e com no mínimo 6.000 caracteres e no máximo 10.000 com espaço.
Aguardamos os textos e seguimos com a organização da Jornada.
Coordenação da Jornada:
Cássia M. R. Guardado
Patricia Badari
NÚCLEO DE RH
O núcleo de RH, em funcionamento desde novembro de 2006, vem trabalhando neste momento em cima do texto produzido para as VIII Jornadas do Clin-a "A Transferência nos Dispositivos da Psicanálise Aplicada".
Estamos às voltas com questões sobre: os limites de atuação do psicanalista na organização; as formas de intervenções; o lugar da psicanálise neste contexto; a prática que só é possível a partir do momento em que o psicanalista tem um conhecimento da subjetividade de sua época; o mercado enquanto significante mestre. Como nos disse Brousse: “Lacan colocava, nos anos 70, que o S1 era o mercado comum, hoje é o Mercado Global ou Mundial, este é nosso significante mestre, o mundial é o mercado, a extensão do mercado sem fronteiras”.
Na Jornada do CLIN-a, Bernardino Horne fez pontuações, de forma impecável, instigando-nos a pensar tais questões a partir do discurso do capitalista. Discurso este que não é produzido pela circulação dos outros discursos e por isso é um discurso sem amor. No lugar do amor, há Ordem de Ferro, o pai da máfia. Ainda no trabalho na empresa, pensar o sujeito como sintoma do grupo, assim como uma criança aparece como sintoma do casal parental – empresa como parceiro sintoma do empregado.
Causados com essas questões e por tantas outras surgidas com a discussão do texto e pontuações de Bernardino o núcleo segue, com uma proposta de trabalho também virtual para o ano de 2009 devido à procura, pelo núcleo, de profissionais que se encontram fora de São Paulo.
Milena Vicari Crastelo.
Nessa ultima sexta feira, tivemos na atividade de "Cinema e Psicanálise" uma conversa com Siglia Leão, psicanalista, e Luciano Laface, filósofo, sobre o filme "A Palavra", de Dreyer.
O filme aborda questões sobre religião, ciência, a mulher, a criança, um pai que não consegue transmitir com sucesso sua função e a maneira como cada um se arranjou para dar conta do seu gozo e da sua castração.
Traz como questão a palavra pois, ao mesmo tempo em que é cheio de palavras, usa a palavra para tamponar e deixar ausente a palavra que ordena.
A Palavra, que no filme não circula, fica presa, é uma palavra densa que não faz laço, uma palavra inócua que, na discussão sobre o filme, pôde circular de forma leve fazendo questões aos que ali estavam.
Milena Vicari Crastelo
ENTREVISTA PARA O BOLETIM DE NOVEMBRO – CÁSSIA GUARDADO
1. No senso comum a idéia de sintoma está relacionada à dor, ao sofrimento, no entanto, para a psicanálise há uma convergência entre o sintoma e a felicidade. Você pode comentar este que será tema do próximo encontro da EBP.
Assim como Freud, ao falar dos sonhos, diz que a significação deles para a Psicanálise se aproxima muito da visão que as pessoas em geral têm deles - ou seja, que significam alguma coisa, têm um sentido - também a questão do sintoma implica sim o sofrimento, embora não só isso, pois inclui algo de uma satisfação.Essa é a novidade, paradoxal, aportada pela Psicanálise, pois a pretensa felicidade não exclui algo dessa estranha satisfação, podendo pois o sujeito que assim o desejar se haver com esse paradoxo, via uma análise.
2. Para Lacan o sujeito é sempre feliz. Para Freud a felicidade é impossível....
A felicidade possível será aquela que possa incluir esse paradoxo, se afastando de uma imagem ideal, não só da felicidade, como de todo destino, ou vicissitude humana.Só a felicidade total, sem falta, é impossível. Freud, quanto ao amor - não exatamente a felicidade - afirma isso em carta a Roman Rolland, dizendo ser, quanto a essa matéria, movido, não por nenhum ideal, mas sim, por importantes razões econômicas.
3. O conceito de criança a partir da modernidade traz a idéia de pequenos seres felizes. Com Freud podemos pensar na infância como o período para dar significado às pulsões, portanto um período de trabalho e perda de gozo. A criança é mais feliz que o adulto? Qual felicidade para as crianças?
O "infans" - não sei se exatamente a criança - talvez possa ser mais feliz, justamente por ser "infans" - ou seja, não só por ser "o que não fala", mas, por não ter entrado no campo do Outro, ou não ter encontrado com o Outro, inclusive o Outro sexo, não se deparando, então com um saber que horroriza. Lacan, na Nota Italiana, diz que é exatamente por querer, e talvez poder, saber e cernir o horror, que o analista se separa da humanidade, que, esta sim está banhada na felicidade, pois não quer saber nada disso, desse saber que horroriza. Porém, o sujeito, o parlêtre dispõe de mecanismos para velar o horror, que não precisa nem deve ser escancarado.E aí reencontramos o sintoma...Para o sujeito, o parlêtre, criança ou adulto.
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